Governo vai regulamentar do acesso a informações públicas
O governo deve encaminhar até o final de abril deste ano um projeto de lei regulamentando o direito de acesso a informações públicas no país. O anuncio do prazo foi feito pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o Fórum do Direito de Acesso a Informações Públicas, realizado em Brasília, nos dias 1º e 2 de abril.
Além dos dados referentes à administração pública em geral - como dados do orçamento e do judiciário -, a lei deve facilitar a busca pelos arquivos do SNI (Serviço Nacional de Inteligência), do CSN (Conselho de Segurança Nacional), da CGI (Comissão Geral de Informações) e do Arquivo Nacional.
Esses órgãos guardam arquivos ainda inéditos sobre a ditadura militar. Eles vêm sendo abertos nos últimos anos. Como não há um procedimento específico para o acesso aos documentos sigilosos, há dificuldade em obtê-los. O resultado tem sido a divulgação, a conta gotas, de trechos desses arquivos em jornais e revistas.
Caso a lei seja aprovada, o procedimento para obter esses documentos seria regulamentado. O projeto é fruto de entendimentos e discussões entre setores da sociedade civil com o Ministério da Casa Civil e a Corregedoria Geral da União.
A lei deve, assim, regulamentar o acesso de qualquer cidadão a informações públicas, direito previsto no inciso 33 do artigo 5º da Constituição de 1988. O artigo diz que “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei”.
Como a lei prevista pela Constituição ainda não existe, há dificuldades na busca de documentos por cidadãos. Até agora o direito previsto na Constituição era normatizado somente por meio de um decreto. “Uma lei é necessária para especificar os detalhes desse processo. O que o artigo da Constituição significa? O que é necessário responder ao cidadão?”, disse o canadense Toby Mandel, um dos organizadores do fórum.
A existência da lei daria a possibilidade de o cidadão ter acesso a relatórios, relações de cargos e orçamentos e detalhes de processos decisórios de instituições públicas. O acesso não seria irrestrito. Há consenso em torno da necessidade de exceções às regras de transparência. Toby citou como exemplo matérias relativas à vida privada, como declarações de impostos e de saúde de cidadãos. Divulgá-las feriria o direito à privacidade. Informações geológicas também deveriam ficar restritas.
Projeto ainda está sendo elaborado
Um deles é a forma como serão regulados os órgãos públicos de Estados e municípios. Segundo Claudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, as instituições mais opacas não estão no governo federal, mas nos Estado e municípios. Para regulá-los, seria necessário uma legislação não restrita à União e que também não venha a ferir a autonomia deles.
A existência de uma agência reguladora também será alvo de debate. Em diversos exemplos de outros países, como o México, existe um órgão específico para tratar do acesso a informação. Isso evitaria a necessidade de se recorrer ao Judiciário quando houver problemas no processo. Poupando a Justiça, poderia haver economia de tempo e dinheiro.
Alguns dos congressistas presentes no evento refutaram a necessidade de uma agência reguladora. Um deles foi o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele acredita que uma agência criaria uma nova burocracia, onde haveria mais funcionários indicados em consequência de disputas políticas.
Leis sobre o assunto já existem em diversos países
Em sua fala no evento, a ministra Dilma admitiu que o Brasil está atrás de outros países. Mas, segundo ela, isso pode se tornar uma vantagem se o país conseguir se beneficiar das experiências concretas.
|







